quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nunca subestime o Poder da Graça...

Melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. (Eclesiastes 7:3)

Segunda. Novembro de 2011. Calor.

Dia comum, se não fosse pela saudade das coisas boas, boas companhias, bons assuntos, boas lembranças. 

Não fiz devocional, não orei, tava tudo um saco, não me concentrei no trabalho, não consegui estudar. Sim, estava mal paca. Acho que a correria e o stress da rotina me induziram a isso. Logo eu. Passei o dia buscando artifícios pra me satisfazer e isso piorava a situação. Sozinho e com vontade de dormir pra que acabasse logo esse dia. Quanta infantilidade, mas a vezes a gente sabe que está sendo idiota, os amigos não abandonaram, sua vida é ótima, você tem um lar, e um corpo saudável, e um Deus que já provou Milhões de vezes que cuida de você.

Enfim, estava rendido à melancolia. Fosse outros tempos teria vergonha de expor isso. Peguei o busão, ainda bem que tinha lugar pra sentar. Sentei e a cadeira do lado ficou vaga. Gente na frente e atrás. Fiquei lembrando daquelas histórias do pessoal das igrejas modernas, que não julgam o próximo, que fazem festa pra mendigo, que abraçam e dizem 'eu te amo' p/ prostitutas e homos da madrugada, levando amor e humanidade pra essas pessoas sem o linguajar ou a postura "crentês". Tudo que eu precisava naquele instante.

Uma passageira em pé levanta a voz, abrindo uma pasta com uns exames e uma foto de um garoto de 2 anos e 7 meses (se não me engano). A criança nasceu com diabetes, acabara de passar por uma cirurgia ou estava muito doente e não tinha grana pro remédio. No mesmo instante, no fundão do bus, eu separo umas moedas e aguardo ela se aproximar. Mas eu queria oferecer algo mais. Queria uma troca. O que um cristão, que foi salvo através da GRAÇA de Deus, faria? Ela se aproximou e eu estendi a mão com a grana. Olho no Olho. Ela agradece, guarda tudo que juntou e pergunta: Posso sentar do seu lado? - Claro. Sentou-se e pôs-se a falar de preconceito: "Eu pergunto por que sou negra, feia e mal vestida e tem gente branca que é besta [...]". Negra, Cabelo assanhado, voz alta, visivelmente alterada e ser-humano. Eu senti logo que renderia uma boa conversa, comecei a conversar no tom dela, pra todo mundo ouvir. Ela fez questão que eu conferisse os exames, a certidão do garoto. Dayvid. Sobrinho dela. Quando ela retomou o papo "apartheid" eu logo cortei: Mas no Brasil todo mundo é filho de negro, tem gente que não tem consciência disso. Ela me olhou como quem pensa "Até que fim um branco gente boa". (Generalizei)

Em 10 minutos parecíamos velhos amigos falando da vida. Descobri seu nome e sua idade. 27 anos. Ela já me chamava de Junior (para os íntimos). Digo-lhe que é jovem e que ainda pode estudar, ela rebate: Não dá mais não, meu negócio agora é homem. Ri muito e ela acompanhou. Acho que também foi divertido pro pessoal que estava virando o pescoço pra ver um branco, olho verde, bem arrumado, conversando com uma 'invisível' pra sociedade. Confesso que se fosse outro em meu lugar, estranharia do mesmo jeito. Depois de algumas gargalhadas, ela começa a falar de uma viagem que fez: Eu tava lá na praia em São Luiz, arrumei um gringo branco dos zóio azul que nem tu, consegui 250, 50 foi só pro táxi. O vei cheio da grana e eu toda gata, tinha colocado aplique, tava parecendo aquelas negas da Jamaica. Aí eu digo "toda estilosa". E ela: Era... Parecendo o cão. kkk Ri alto junto com o fundão do bus.

Já em outro momento eu digo que estou perto de descer e ela: Ah, você vai em abandonar, tava achando tão bom o papo, nam. Eu olhei pro restando do ônibus e disse: Mas olha o tanto de gente que vai ficar aí, logo tu arranja outro pra conversar. Chegou minha a hora, ela afastou pra eu sair, estendeu a mão (quase em segurando) e disse: Valeu, a gente se encontra aí. - Pega esse mesmo ônibus amanhã! A gente se vê nas festas. Ta, eu vou pedir a Deus por ti, pelo Dayvid e pela família de vocês. Isso, nós vamos orar juntos...

E as portas se fecham.

Foi de lavar a alma. De volta à simplicidade. De volta ao evangelho. Embora em toda a conversa eu tenha evitado o vocabulário "crentês", houve uma troca boa, pude oferecer à ela a Graça que eu recebi um dia. É algo tão poderoso que restaura quem é canal. Sim, somos todos iguais, criaturas de um mesmo Deus. Até onde você iria Para salvar uma vida? Nunca subestime o Poder da Graça...

Eu poderia descrever aqui cada lição que aprendi com isso, mas vocês não compreenderiam. Vivam.


paz.

2 comentários:

  1. Lindo!
    Será se eu teria a mesma coragem?

    te amo.

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  2. Muito bom seu blog! Já estamos seguindo...
    Gostaria de convidar a visitar o nosso:
    www.filhopense.blogspot.com

    Que por "Cristocidência" tem o mesmo versiculo como tema!

    Abraços!

    Familia FILHOPENSE

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